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Nunca se espera que uma Miss Universo se preocupe com questões práticas, mas Leila Lopes – a atual detentora do título – está a demonstrar ser uma exceção, em mais do que uma forma. Aceitou o desafio do combate à degradação dos solos e à desertificação, e estará presente na Cimeira Rio +20 para ajudar a tentar persuadir os governos a fazer desta questão um “assunto prioritário”.

É um assunto que necessita de mais atenção. Foi o tema da terceira das três grandes convenções acordadas na primeira Cimeira da Terra, há duas décadas atrás, mas não foi alvo de tanta atenção como os outros, a biodiversidade e as alterações climáticas. Contudo, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) diz respeito a um dos maiores desafios ambientais.

Somente seis a dez polegadas de camada superficial do solo, diz o secretariado da convenção, é normalmente “tudo o que nos separa da extinção”, mas, todos os anos, são perdidas 75 mil milhões de toneladas para sempre. Ou seja, 12 milhões de hectares de terra produtiva, onde podiam ser plantadas 20 mil milhões de sementes, desaparecem anualmente – numa altura em que o aumento da população e do consumo criam uma procura por alimentos cada vez maior.

Leila Lopes nasceu há 25 anos, em Angola, um dos países mais afetados, e parte dos solos secos que cobrem mais de 40 por cento da superfície terrestre do mundo, e que abriga 2,7 mil milhões de pessoas, mas diz que não “estava consciente” do problema enquanto cresceu, porque vivia junto ao mar, na cidade costeira de Benguela. Começou a mostrar interesse pelo problema, disse ao Our Planet, quando esteve presente numa reunião “que me forneceu um entendimento da gravidade da degradação dos solos, do seu impacto no ambiente, e como afetava, em particular, o meu continente África, e o resto do mundo”. No início deste ano foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade para a Desertificação da UNCCD.

“Os governos têm de se comprometer com a resolução da degradação dos solos, partilhar conhecimentos e encontrar formas de restaurar a mesma quantidade de terra que é perdida todos os anos”, diz. “A procura por alimentos vai continuar a aumentar em todo o mundo, por isso temos de salvar os solos para que as pessoas o possam cultivar e viver do mesmo”.

Acrescenta: “Os solos secos não são terras devastadas. As pessoas pensam isso porque o solo é seco e desolado e, por isso, deve ser abandonado porque nada pode ser produzido no mesmo, mas isto não é assim. É importante para as pessoas compreenderem que esta terra PODE ser salva e que PODEMOS cultivar na mesma. Se investirmos na nossa terra e ensinarmos às pessoas técnicas sustentáveis adequadas, estamos a fazer algo positivo.”

Vê a sua tarefa como sendo criar alguma dessa atenção que falta, e explica: “Se começarmos a educar as pessoas sobre o problema, podemos fazer alguma coisa sobre isto. Como Miss Universo, darei a minha voz para ajudar a sensibilizar para o problema dos solos secos e da desertificação. Posso contribuir bastante para a sensibilização porque os meus fãs em todo o mundo querem realmente saber naquilo em que estou envolvida e as causas que apoio. E com a minha presença na Cimeira do Rio+20, promoverei o assunto tanto quanto possível. É o nosso futuro.”